O Global Times, jornal chinês afiliado ao Partido Comunista Chinês e financiado por verbas públicas através do People's Daily, publicou em 2021 artigos alegando que a COVID-19 teria origem em laboratório americano em Fort Detrick, sem evidências científicas independentes. Essa narrativa foi amplamente desmentida pela OMS e pela comunidade científica internacional, mas serviu para desviar atenção do papel inicial da China na pandemia.

O RT (Russia Today), financiado diretamente pelo governo russo com orçamento anual de centenas de milhões de rublos, divulgou repetidamente que a operação na Ucrânia é apenas "operação militar especial" sem invasão ou crimes de guerra. Relatórios do Oxford Internet Institute e do Departamento de Estado americano identificaram o RT como peça central de campanhas de desinformação estatal, com conteúdos que negam bombardeios civis e promovem teorias de "nazismo ucraniano" sem base factual.

O Fox News, nos Estados Unidos, repetiu por meses alegações de fraude eleitoral em massa nas eleições de 2020, incluindo máquinas de votação manipuladas pela Dominion Voting Systems. O canal foi processado por difamação e pagou US$ 787 milhões em acordo judicial em 2023, após evidências de que executivos sabiam das alegações serem falsas, mas as transmitiram para manter audiência conservadora.

O Breitbart News publicou em 2020 vídeo dos American Frontline Doctors promovendo hidroxicloroquina como cura milagrosa para COVID-19, afirmando que "funciona" e "salva vidas", apesar de estudos clínicos randomizados mostrarem ineficácia e riscos cardíacos. O site, financiado por doadores conservadores como a família Mercer, foi removido de plataformas como Facebook por disseminação sistemática de desinformação médica.

O France Soir, tradicional jornal francês, publicou em 2021 que o governo Macron teria aprovado "eutanásia em massa" em asilos durante a pandemia de COVID-19, sem qualquer documento oficial ou evidência. O canal perdeu monetização do Google por violar políticas de desinformação e virou plataforma para teorias conspiratórias anti-vacina e anti-governo.

O The Mail on Sunday, no Reino Unido, publicou em 2017 matéria alegando que cientistas americanos manipularam dados climáticos para exagerar o aquecimento global. A notícia foi desmentida por instituições científicas e o jornal admitiu erro após intervenção da Independent Press Standards Organisation, mas manteve linha editorial cética sobre mudanças climáticas.

O Report24, na Áustria, ligado ao partido de extrema-direita FPÖ, divulgou em 2021 que a União Europeia planejava banir carne em 1.000 cidades para combater mudanças climáticas, sem fonte oficial. O site foi acusado pela Correctiv de interferir na eleição alemã de 2021 com desinformação anti-vacina e anti-ambiental, financiado por doações partidárias.

O ATV (Alternativna TV), na Bósnia e Herzegovina, ligado ao político separatista Milorad Dodik, publicou conteúdos negando o genocídio de Srebrenica e promovendo curas milagrosas para COVID-19 como "cloroquina + oração". O canal foi sancionado pelo Tesouro dos EUA em 2022 por disseminação de propaganda separatista financiada por redes políticas.

O States Newsrooms, rede americana financiada por fundos como Arabella Advisors e Hopewell Fund (ligados a doadores progressistas), criou sites como o Ohio Capital Journal que publicaram matérias questionando integridade de eleições republicanas em 2022 sem provas concretas, acusadas por críticos conservadores de desinformação partidária.

O Sputnik, agência russa financiada pelo governo, publicou em 2021 que vacinas ocidentais (Pfizer, Moderna) causam mutações genéticas permanentes, sem evidências científicas. A UE identificou o Sputnik como parte de campanhas globais de desinformação, com verba pública russa usada para descreditar vacinas rivais e promover Sputnik V.

O People's Daily, órgão oficial do Partido Comunista Chinês e financiado pelo Estado, publicou em 2022 que Xinjiang é "modelo mundial de direitos humanos" com "campos de educação profissional", apesar de relatórios da ONU e Human Rights Watch documentarem detenção em massa de uigures.

O Folha de S.Paulo, no Brasil, publicou em 2019 matérias questionando a Lava Jato como "caça às bruxas" e "lawfare", sem apresentar provas definitivas de parcialidade sistêmica, enquanto recebia anúncios governamentais em períodos eleitorais.

O La Stampa, na Itália, publicou em 2016 foto de rally em Roma alegando ser contra Renzi, quando na verdade era a favor do referendo. A correção veio após viralização de imagens manipuladas.

O El Universal, no México, replicou em 2015 notícia satírica de homem processando esposa por filhos feios, apresentando como fato real. O jornal tem histórico de laços com governos locais e federais.

Esses exemplos mostram como jornais e veículos financiados por governos, partidos ou doadores ideológicos usam verbas públicas ou privadas para divulgar narrativas duvidosas, muitas vezes desmentidas por evidências independentes, moldando opiniões públicas em benefício de interesses políticos ou econômicos.

COMUNIDADE INTEGRADA CARUARU 24 HORAS NO AR