O celular de Daniel Vorcaro continua a entregar fragmentos que ninguém esperava ver tão cedo.
Entre meia-noite e 12h32 de hoje, 15 de fevereiro de 2026, trechos inéditos das extrações digitais foram incorporados aos autos do inquérito redistribuído na 2ª Turma do STF e, quase simultaneamente, começaram a circular em grupos fechados de advogados e jornalistas investigativos em Brasília.
O material novo não é uma “nova perícia completa”, mas sim uma leva adicional de mensagens recuperadas da pasta de “Itens Recentemente Excluídos” do aplicativo de mensagens criptografado que Vorcaro usava (Signal + backup em nuvem parcial).
As mensagens datam principalmente de agosto a outubro de 2025, período imediatamente anterior à decretação da intervenção no Banco Master.
Em uma cadeia de 14 mensagens trocadas com Fabiano Zettel entre 22 e 25 de agosto de 2025, Vorcaro escreve textualmente:
“Eles querem mais 8 agora pro Tayayá. Já mandei 15 na semana passada. Isso virou mensalidade.”
Zettel responde: “Fala que é o último. Se não parar vão complicar a liberação do fundo.”
Vorcaro rebate: “Complicar como? Já pagamos o que era da venda. Agora é chantagem pura.”
Outra sequência, de 12 de setembro de 2025 (três dias antes da prisão dele), menciona um encontro marcado em hotel de luxo no Rio de Janeiro:
“Hoje 19h no Fasano. O cara do gabinete disse que resolve se entrar mais 5. Leva o envelope.”
Não há nome próprio, mas o contexto anterior das conversas sugere que “o cara do gabinete” seria alguém ligado ao circuito de influência em torno de autoridades com foro privilegiado.
Hoje também veio à tona uma nota de áudio de 47 segundos, recuperada do mesmo backup parcial. Nela Vorcaro diz, com voz visivelmente alterada pela tensão:
“Fabiano, eu não aguento mais. Eles acham que sou caixa eletrônico infinito. Já foram 35 no Tayayá, mais 12 no outro projeto que você sabe. Se eu cair, levo junto quem tem que cair. Guarda isso.”
O áudio foi anexado aos autos às 10h14 de hoje por determinação do novo relator, que manteve a decisão de Toffoli de juntar todo o material digital, mas determinou que partes sensíveis fossem protegidas por senha judicial até análise do MPF.
Além do Tayayá, as mensagens recém-juntadas mencionam pela primeira vez outro empreendimento: uma fazenda de eventos no interior de Goiás, comprada em 2023 por empresa ligada à família de um senador da base aliada.
Vorcaro anota em uma mensagem de 3 de outubro de 2025: “Goiás – 7. Já foi combinado com o senador. Fecha antes do BC apertar.”
A soma dos valores citados nas mensagens novas ultrapassa R$ 54 milhões quando somados aos R$ 35 milhões já conhecidos do Tayayá.
A defesa de Vorcaro protocolou, às 11h22 de hoje, petição complementar à anterior (de 12 de fevereiro), pedindo que o STF investigue especificamente quem teve acesso ao relatório da PF entre 3 e 14 de fevereiro, período em que os vazamentos continuaram.
O Coaf, em ofício complementar recebido às 09h47, informou ao STF que identificou, nas últimas 48 horas, três transferências internacionais de contas vinculadas à Maridt Investimentos para uma empresa em Portugal (mesmo país citado em viagens custeadas por Vorcaro em 2024).
O valor total dessas transferências recentes: € 1,2 milhão (aproximadamente R$ 7,1 milhões na cotação de hoje).
A PF confirmou, em despacho interno vazado para poucos, que está cruzando os novos áudios e mensagens com metadados de localização do celular, que mostram Vorcaro no Rio de Janeiro e em Brasília em datas que coincidem com audiências de autoridades no STF e no TCU.
Até 12h32 de hoje, nenhuma autoridade citada nas mensagens novas se pronunciou publicamente.
O silêncio é ensurdecedor.
O que se sabe, até este exato instante, é que o celular de Vorcaro não parou de falar.
Ele fala em valores que crescem, em nomes que ainda não foram ditos em voz alta, em encontros que aconteceram em hotéis cinco estrelas e em promessas de “resolver” que nunca se concretizaram.
O inquérito segue na 2ª Turma.
Mas as mensagens, uma vez soltas, não voltam mais para a caixa de “Itens Excluídos”.
Elas ficam circulando, multiplicando perguntas que Brasília preferiria deixar sem resposta.