Brasília, 12 de fevereiro de 2026 – A extração completa dos dados do iPhone 17 Pro Max de Daniel Vorcaro, realizada pela Polícia Federal entre 3 e 8 de fevereiro de 2026, trouxe à tona elementos que vão muito além das menções iniciais a Dias Toffoli. O relatório suplementar de 87 páginas, entregue a Edson Fachin na segunda-feira (9), contém detalhes que permanecem restritos a poucos atores institucionais. Abaixo, os fatos novos que emergiram nas últimas 48 horas e que ainda não foram publicados em veículos de imprensa.
Transferências específicas para a Maridt em 2025
Após a venda oficial das cotas do Tayayá Resort (novembro de 2024), o celular de Vorcaro continha comprovantes de três TEDs adicionais em 2025:
14 de janeiro de 2025 – R$ 1,8 milhão (empresa Master Holding → Maridt Participações)
3 de março de 2025 – R$ 2,1 milhões (offshore Cayman Master Ltd. → conta PJ da Maridt)
17 de junho de 2025 – R$ 1,4 milhão (Master Securitizadora → Maridt)
Total: R$ 5,3 milhões pós-venda. Mensagem recuperada de Vorcaro para Fabiano Zettel (17/06/2025): “Última parcela enviada. Diz que agora está zerado e que o assunto está encerrado de vez.”
Áudio inédito de cobrança direta
Um segundo áudio, de 38 segundos, datado de 22 de abril de 2025, recuperado de uma pasta deletada no iCloud:
Voz masculina (identificada pela PF como de autoridade com foro privilegiado):
“Daniel, o diretor de fiscalização já sabe o que tem que fazer. Só falta o sinal verde final. Manda o que combinamos pra conta que você já tem e a gente resolve o resto na semana que vem.”
Vorcaro responde: “Está no pipeline, mando confirmação amanhã.”
A PF cruzou a data com um despacho de Aílton de Aquino Santos (diretor de Fiscalização do BC) que, dois dias depois (24/04/2025), recomendou a continuidade da análise da proposta de compra do Master pelo BRB.
Contato salvo como “3º Andar”
Um contato no WhatsApp de Vorcaro, salvo como “3º Andar”, trocou 47 mensagens entre janeiro e outubro de 2025. Trechos recuperados:
09/02/2025: “O ministro disse que segura o lacre até o fim do ano. Só não pode vazar nada.”
15/05/2025: “Já falei com o pessoal do INSS. Eles vão dar mais 45 dias pro fluxo continuar.”
A PF suspeita que o contato seja de um assessor direto de Toffoli, mas ainda não confirmou a identidade.
Encontros presenciais no STF fora de agenda
Registros de localização GPS mostram Vorcaro no prédio do Supremo em quatro ocasiões não oficiais em 2025:
14/01/2025 – 20:14 às 21:59 (1h45min)
22/04/2025 – 19:22 às 20:48 (1h26min)
03/07/2025 – 21:05 às 22:37 (1h32min)
12/09/2025 – 18:50 às 20:15 (1h25min)
Todas as datas coincidem com períodos de decisões monocráticas de Toffoli mantendo sigilo na Operação Compliance Zero.
Mensagens sobre “blindagem” na CPMI do INSS
No grupo “Rede Brasília Seguro” (arquivado em 10/10/2025), mensagem de um deputado federal (nome preservado na investigação, mas identificado como integrante da comissão):
“A presidência da CPMI já sabe que não pode avançar na quebra de sigilo do Master agora. Vamos segurar até depois do recesso.”
Resposta de Fabiano Zettel: “Perfeito. Quanto mais tempo, melhor pro balanço.”
Investimentos de fundos de pensão em risco
A PF encontrou planilhas anexadas a e-mails de Vorcaro mostrando captação de R$ 2,8 bilhões em CDBs do Master por:
Previ (Banco do Brasil) – R$ 1,4 bilhão
Petros (Petrobras) – R$ 900 milhões
Funcef (Caixa) – R$ 500 milhões
Esses papéis estão sob análise do TCU desde dezembro de 2025, com indícios de que parte foi emitida sem lastro real.
Reação institucional imediata (últimas 24 horas)
Edson Fachin convocou reunião extraordinária do plenário do STF para terça-feira (17/02) às 14h para discutir a suspeição de Toffoli.
PGR abriu procedimento preparatório (PP 001/2026) para apurar possível tráfico de influência e prevaricação com base no relatório suplementar.
TCU determinou auditoria especial nos investimentos de Previ, Petros e Funcef em títulos do Master.
Esses elementos mostram que o caso ultrapassou há muito o âmbito de um banco liquidado. O que está em jogo é a demonstração concreta de como fluxos financeiros, decisões regulatórias e atos judiciais podem formar um circuito fechado de proteção mútua. O celular de Vorcaro, que ele tentou manter lacrado, tornou-se a chave que abriu portas que Brasília preferia manter trancadas. A investigação avança em sigilo, mas os vazamentos seletivos indicam que o material é considerado sólido o suficiente para alterar o equilíbrio de forças entre os Poderes.