Brasília, 13 de fevereiro de 2026 – Na noite de 12 de fevereiro, após reunião extraordinária convocada por Edson Fachin, o ministro Dias Toffoli comunicou formalmente ao plenário do Supremo Tribunal Federal que se declara impedido de continuar como relator do inquérito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. O STF confirmou a decisão em nota oficial emitida às 23h47. O processo foi redistribuído por sorteio eletrônico automático e caiu com o ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria imediatamente.

A troca ocorreu após o relatório suplementar de 87 páginas da Polícia Federal, entregue a Fachin em 9 de fevereiro, trazer menções diretas a Toffoli em mensagens recuperadas do iPhone 17 Pro Max de Daniel Vorcaro, além de comprovantes de R$ 5,3 milhões transferidos à Maridt Participações em 2025 (após a venda oficial do Tayayá Resort), convites para a festa de aniversário do ministro em novembro de 2025 e registros de localização de Vorcaro no STF em horários não oficiais.

André Mendonça, ministro desde 2021, agora tem em mãos o inquérito que apura crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e corrupção ativa envolvendo o Banco Master, liquidado em novembro de 2025 com rombo estimado entre R$ 12 e 17 bilhões.

Mudanças concretas já em curso ou altamente prováveis com a nova relatoria:

O sigilo total imposto por Toffoli em dezembro de 2025 sobre todas as provas da operação (incluindo perícia do celular, áudios, mensagens deletadas e backups do iCloud) pode ser revisto ou parcialmente levantado. Mendonça tem jurisprudência favorável à publicidade dos atos judiciais quando não há risco efetivo à instrução processual.

Decisões monocráticas anteriores de Toffoli — como a ordem para que a PF enviasse todos os aparelhos apreendidos ao STF para análise interna e o indeferimento de quebras de sigilo adicionais — podem ser reexaminadas ou revogadas por despacho do novo relator.

O inquérito pode ser remetido à primeira instância da Justiça Federal. Mendonça já declinou competência em casos anteriores quando o foro privilegiado não abrangia a maioria dos investigados.
 Se entender que os núcleos principais (Vorcaro, Fabiano Zettel, Augusto Lima, Paulo Henrique Costa) não possuem prerrogativa de função, o processo desce para a 10ª ou 12ª Vara Federal de Brasília, onde tramitação é mais célere.
A PGR, que abriu o procedimento preparatório PP 001/2026 para apurar tráfico de influência e prevaricação, ganha acesso irrestrito ao material periciado sem os filtros aplicados anteriormente. Isso inclui os dois áudios recuperados (47 segundos de outubro de 2024 e 38 segundos de abril de 2025) com vozes identificadas como de autoridades com foro.

O TCU, que já audita investimentos de Previ (R$ 1,4 bilhão), Petros (R$ 900 milhões) e Funcef (R$ 500 milhões) em CDBs do Master, pode receber aval formal para cruzamento imediato com as planilhas financeiras extraídas do celular de Vorcaro, revelando emissões sem lastro real.

A CPMI do INSS, que adiou o depoimento de Vorcaro para 27 de fevereiro, enfrenta pressão para avançar nas quebras de sigilo travadas. Mensagens do grupo “Rede Brasília Seguro” (arquivado em outubro de 2025) mostram discussões sobre “segurar a CPMI” e “não avançar na quebra agora”.

O pedido de impeachment contra Toffoli perde objeto imediato (ele não é mais relator), mas ganha novo fôlego político como crítica à condução anterior do inquérito. Representações na PGR por Carlos Jordy, Eduardo Girão e Marcel van Hattem seguem ativas e agora direcionam foco para cobrar celeridade de Mendonça.

Detalhes exclusivos que circulam em fontes internas da PF e do STF:
Mendonça já solicitou vista integral do relatório suplementar e dos anexos periciais antes da sessão plenária marcada para terça-feira (17/02) às 14h, onde o plenário discutirá a validade dos atos praticados por Toffoli.
A PGR prepara petição para que Mendonça homologue a produção antecipada de provas (depoimentos de delatores potenciais e perícias adicionais em offshores).

O Coaf foi acionado informalmente para rastrear os R$ 5,3 milhões enviados à Maridt em 2025, com foco em contas ainda ativas ligadas ao grupo Master Holding.
Há indício de que Mendonça pretende ouvir Vorcaro em juízo de garantias antes de qualquer decisão sobre prisão preventiva ou medidas cautelares.

A troca de relator representa a maior virada desde o início da operação. O que era um inquérito blindado por sigilo e decisões monocráticas agora entra em fase de imprevisibilidade alta.
 Mendonça tem a oportunidade — e a pressão — de conduzir o caso com maior transparência e celeridade, o que pode acelerar denúncias, prisões e exposição de uma rede que atravessou Banco Central, Congresso, fundos de pensão e o próprio Supremo. O próximo despacho do novo relator será decisivo para definir o ritmo e a profundidade das apurações que virão.