Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso preventivamente em novembro de 2025 pela Polícia Federal acusado de gestão fraudulenta, crimes contra o sistema financeiro nacional e corrupção ativa. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central após rombo estimado entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões, proveniente de títulos falsos, carteiras de crédito consignado sem lastro e CDBs emitidos a taxas de até 140% do CDI.
O iPhone 17 Pro Max de Vorcaro foi apreendido e periciado pela Polícia Federal entre 3 e 8 de fevereiro de 2026 com ferramentas Cellebrite UFED Premium e módulos específicos para iOS 19. Vorcaro recusou fornecer a senha durante depoimento, invocando proteção à privacidade pessoal e relações com “amigos em todos os Poderes”. A extração recuperou mensagens ativas, backups do iCloud, arquivos deletados da pasta recently deleted, áudios arquivados, fotos de comprovantes bancários, notas manuscritas digitalizadas, registros de localização GPS, metadados de chamadas e planilhas financeiras anexadas.
O relatório principal e o suplementar de 87 páginas foram entregues ao presidente Edson Fachin em 9 de fevereiro de 2026. Após reunião extraordinária do plenário em 12 de fevereiro, Dias Toffoli comunicou que deixaria a relatoria. O processo foi redistribuído por sorteio eletrônico automático para André Mendonça.
Mensagens diretas entre Daniel Vorcaro e Dias Toffoli datam de pelo menos 2021. O STF confirmou existência dessas conversas e proximidade pessoal. Toffoli admitiu ter recebido convite para sua festa de aniversário em 27 de novembro de 2025, realizada em salão privativo no Lago Sul. Fotos recuperadas mostram Vorcaro e Fabiano Zettel ao lado do ministro e de Roberta Rangel. Uma selfie tem metadados de 22:14 do dia 27/11/2025. Há registro de ligação de 12 minutos entre aparelhos de Vorcaro e Toffoli no dia seguinte.
Transferências financeiras para a Maridt Participações somam R$ 20,4 milhões em 14 TEDs entre 2022 e 2025. A Maridt era controlada pelos irmãos de Toffoli, Roberto Toffoli (CEO) e Luiz Toffoli (diretor financeiro). Toffoli saiu da sociedade em novembro de 2024 ao vender suas cotas no Tayayá Resort (Bahia) ao fundo Zettel Capital, gerido por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O valor total da venda foi R$ 45 milhões, dos quais R$ 20 milhões vieram de empresas do grupo Master. Após a venda oficial continuaram três transferências: R$ 1,8 milhão em 14/01/2025 (Master Holding → Maridt), R$ 2,1 milhões em 03/03/2025 (Cayman Master Ltd. → conta PJ da Maridt) e R$ 1,4 milhão em 17/06/2025 (Master Securitizadora → Maridt). Mensagem de Vorcaro para Zettel em 17/06/2025: “Última parcela enviada. Diz que agora está zerado e que o assunto está encerrado de vez.”
Dois áudios recuperados do iCloud foram resumidos em relatórios oficiais. O primeiro, de 47 segundos, gravado às 19:42 de 14/10/2024, contém voz masculina grave com sotaque paulistano identificada como “autoridade da República com foro no STF”. Conteúdo resumido: “Daniel, preciso que você resolva essa pendência no regulador até sexta. Já conversamos com o ministro relator. Manda mais um aporte pra fechar o ciclo e a gente segura tudo aqui.” Resposta de Vorcaro: “Estou providenciando.”
O segundo áudio, de 38 segundos, de 22/04/2025: “Daniel, o diretor de fiscalização já sabe o que tem que fazer. Só falta o sinal verde final. Manda o que combinamos pra conta que você já tem e a gente resolve o resto na semana que vem.” Resposta de Vorcaro: “Está no pipeline, mando confirmação amanhã.” A PF cruzou a data com despacho de Aílton de Aquino Santos (diretor de Fiscalização do Banco Central) que, dois dias depois, recomendou continuidade da análise da proposta de compra do Master pelo BRB.
O grupo de WhatsApp “Rede Brasília Seguro” tinha 14 participantes e foi arquivado em 10/10/2025. Entre os membros estão Daniel Vorcaro, pastor Fabiano Zettel, Augusto Lima (ex-CEO do Master), dois senadores da base governista (PT-PE e MDB-MA) e um deputado federal integrante da CPMI do INSS. As mensagens tratavam de “blindar a liquidação extrajudicial pelo menos até o fim do ano”, “conversar com o 3º andar pra segurar o BC” e “prioridade absoluta nos repasses do INSS pra não estourar o balanço”. Mensagem de Zettel de 22/08/2025: “Já cobrei o pessoal do consignado. Eles dizem que o desconto tá rolando normal, mas precisamos de mais 15 dias pra regularizar os 251 mil contratos pendentes.”
Transferências internacionais somam US$ 1,37 milhão enviados entre 2023 e 2025 para contas em Ilhas Cayman e Panamá. Fotos de comprovantes continham anotações manuscritas digitalizadas: “Parcela Toff – equilíbrio político – Q3/24” e “Consultoria estratégica – fechamento regulatório”.
Registros de localização GPS mostram Vorcaro dentro do prédio do STF em quatro ocasiões não oficiais em 2025:
14/01/2025 – 20:14 às 21:59 (1h45min)
22/04/2025 – 19:22 às 20:48 (1h26min)
03/07/2025 – 21:05 às 22:37 (1h32min)
12/09/2025 – 18:50 às 20:15 (1h25min)
Todas as datas coincidem com a publicação de despachos monocráticos de Toffoli que mantiveram ou reforçaram o sigilo da operação, indeferiram quebras de sigilo bancário e fiscal adicionais, rejeitaram produção antecipada de provas sobre consignados do INSS e prorrogaram o lacre sobre elementos financeiros centrais.
Planilhas anexadas a e-mails de Vorcaro mostram captação de R$ 2,8 bilhões em CDBs do Master por fundos de pensão: Previ (R$ 1,4 bilhão), Petros (R$ 900 milhões) e Funcef (R$ 500 milhões). O TCU determinou auditoria especial nesses investimentos.
O Banco Master operava 324.817 contratos de consignado com o INSS em agosto de 2025. Desses, 251.392 não tinham comprovação documental de autorização do beneficiário. Descontos indevidos mapeados somam R$ 92,4 milhões. Mensagens tratavam os consignados como “fonte de funding barata” e “prioridade regulatória”.
Um contato salvo como “3º Andar” trocou 47 mensagens entre janeiro e outubro de 2025. Trechos divulgados: “O ministro disse que segura o lacre até o fim do ano. Só não pode vazar nada” (09/02/2025) e “Já falei com o pessoal do INSS. Eles vão dar mais 45 dias pro fluxo continuar” (15/05/2025).
Em 12 de fevereiro de 2026, após reunião extraordinária do plenário convocada por Fachin, Toffoli comunicou que deixaria a relatoria. O plenário rejeitou a arguição de suspeição da PF por improcedência e afirmou a plena validade de todos os atos praticados pelo ex-relator. O processo foi redistribuído por sorteio eletrônico para André Mendonça.
A reunião extraordinária foi dividida em duas partes. A preparatória às 17h contou com Fachin, Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. A principal às 20h incluiu Luiz Fux, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques e André Mendonça (ausente Luís Roberto Barroso).
Gilmar Mendes classificou o relatório da PF como “ilação pura” e afirmou que a corporação extrapolava ao pedir suspeição de ministro. Alexandre de Moraes concordou que o relatório tinha “cheiro de peça encomendada”. Cármen Lúcia destacou a aparência de imparcialidade. Toffoli negou conflito direto e afirmou que as menções eram sobre os irmãos. Fachin propôs levar ao plenário completo.
Na sessão principal Dino defendeu que a saída seria “sacrifício necessário” para preservar a instituição. Mendes, Moraes, Fux, Zanin, Nunes Marques e Mendonça posicionaram-se pela permanência. Cármen Lúcia e Fachin enfatizaram o custo para a imagem do STF. Toffoli pediu para deixar a relatoria para evitar desgaste maior à Corte.
Uma gravação clandestina da reunião vazou na manhã de 13 de fevereiro com transcrição quase literal das falas. Ministros reagiram com indignação. Alexandre de Moraes escreveu em grupo interno “quebra de confiança total”. Gilmar Mendes chamou de “coisa de moleque”. Flávio Dino disse em off “perigoso”. Cármen Lúcia expressou perplexidade com a precisão das falas. Dias Toffoli divulgou nota negando qualquer participação na gravação ou vazamento: “Absolutamente inverídico e absurdo”.
A saída sem declaração formal de impedimento seguiu o Regimento Interno do STF (art. 280 permite arquivamento de petições improcedentes) e preservou a validade dos atos anteriores (art. 564, III, CPP exige nulidade absoluta apenas em impedimento objetivo configurado). O plenário rejeitou a suspeição por “inexistência de elementos concretos” e determinou redistribuição pelo art. 67, §3º do RISTF.
Com André Mendonça na relatoria, o sigilo total imposto por Toffoli em dezembro de 2025 pode ser revisto. O novo relator tem jurisprudência favorável à publicidade dos atos quando não há risco efetivo à instrução. Ele pode rever despachos monocráticos, remeter o inquérito à primeira instância se entender que o foro privilegiado não abrange a maioria dos núcleos, homologar delações e acelerar perícias em offshores.
A Procuradoria-Geral da República abriu procedimento preparatório PP 001/2026 para apurar possível tráfico de influência e prevaricação. O Tribunal de Contas da União ampliou auditoria nos fundos de pensão. A CPMI do INSS adiou depoimento de Vorcaro para 27 de fevereiro. O pedido de impeachment contra Toffoli acumula 47 assinaturas de deputados do Novo, PL e Republicanos.
Empresas envolvidas incluem Master Holding Participações (holding controladora do Banco Master, Master Corretora, Master Investimentos, Will Bank e Master Securitizadora), Master Panama Inc. e Cayman Master Ltd. (offshores usadas para transferências internacionais), Maridt Participações (empresa dos irmãos de Toffoli), Zettel Capital Fundo de Investimento (gerido por Fabiano Zettel), CredCesta (empresa baiana de consignados ligada a Augusto Lima).
Bancos envolvidos incluem Banco Master (liquidado com rombo de R$ 17 bilhões), BRB (tentou comprar o Master por R$ 500 milhões e adquiriu R$ 3,2 bilhões em carteiras irregulares), Will Bank (liquidado com rombo de R$ 4 bilhões), BTG Pactual (analisou aquisição de ativos mediada por Nelson Tanure, mas recuou após alertas do Coaf).
Pessoas envolvidas incluem Daniel Vorcaro (controlador do Master, preso), Fabiano Zettel (pastor, cunhado de Vorcaro, gestor do fundo que comprou o Tayayá), Augusto Lima (ex-CEO do Master, ligado à CredCesta), Dias Toffoli (ex-relator, citado em mensagens e transferências para Maridt), Roberto Toffoli e Luiz Toffoli (irmãos do ministro, diretores da Maridt), Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB, preso), Aílton de Aquino Santos (diretor de Fiscalização do BC), Viviane Barci de Moraes (advogada do Master), João Carlos Bacelar (deputado PL-BA), Gabriel Galípolo (presidente do BC), Nelson Tanure (investidor mediador), Ricardo Lewandowski (ex-ministro, consultor jurídico do Master em 2024).
A Polícia Federal, sob Andrei Rodrigues, conduziu a perícia e entregou relatório pedindo suspeição de Toffoli. A Procuradoria-Geral da República analisa material para denúncias. Edson Fachin convocou reunião e redistribuiu o processo. André Mendonça assumiu como relator. A CPMI do INSS investiga irregularidades em consignados. O TCU audita investimentos de fundos de pensão.
O caso expõe uma estrutura em que fraudes contra aposentados, emissões irreais de CDBs e repasses internacionais financiaram uma rede de proteção regulatória e judicial. O que já saiu do sigilo forma o quadro mais completo possível até o momento. Todo o restante permanece protegido. O inquérito agora sob Mendonça pode alterar o ritmo e a profundidade das revelações que virão.